Capítulo 32

Um Defeito no Plano

Quando os vizinhos do sr. e da sra. Lombo acordaram no dia seguinte e descobriram galinhas tomando toda a rua, eles correram para contar a Rolício que suas aves tinham fugido. Imagine o pavor dos vizinhos quando encontraram pegadas imensas, o sangue e as penas, a porta dos fundos quebrada e nenhum sinal nem do marido, nem da esposa.

Em menos de uma hora, uma enorme multidão se agrupava em volta da casa desocupada de Rolício, todos examinando as pegadas monstruosas, a porta quebrada e os móveis destroçados. Instalou-se o pânico e, algumas horas depois, a notícia do ataque do Ickabog à casa do açougueiro de Baronópolis espalhou-se para o norte, ao sul, a leste e oeste. Arautos tocaram seus sinos nas praças das cidades e, em dois dias, apenas os brejeiros não teriam conhecimento de que o Ickabog tinha se esgueirado para o sul no meio da noite e levado duas pessoas.

O espião de Cuspêncio em Baronópolis, que se misturara à multidão o dia todo para observar a reação das pessoas, mandou a seu senhor o recado de que o plano tivera um resultado magnífico. Porém, no início da noite, justo quando o espião pensava em ir à taberna para um pão com linguiça e um caneco de cerveja de comemoração, ele notou um grupo de homens trocando cochichos enquanto examinavam uma das pegadas gigantescas do Ickabog. O espião se aproximou deles.

— Apavorante, não? — O espião lhes perguntou. — O tamanho desse pé! O tamanho dessas garras!

Um dos vizinhos de Rolício endireitou o corpo, franzindo a testa.

— É perneta— disse ele.

— Como disse? — falou o espião.

— É perneta — repetiu o vizinho. — Olhe bem. É o mesmo pé esquerdo, só ele, o tempo todo. Ou o Ickabog é perneta, ou…

O homem não terminou a frase, mas sua expressão alarmou o espião. Em vez de seguir para a taberna, ele voltou a montar no cavalo e partiu a galope para o palácio.

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